quinta-feira, 29 de maio de 2008

Amor de pai

Para Victoria, que veio ao mundo iluminar a nossa vida.

Porto Alegre, 29 de maio de 2008; 02:28

Você vai crescer
Vai descobrir as coisas
Vai inventar coisas
Vai desmistificar coisas

Eu estou aqui.. filha
Hoje e sempre estarei a teu lado
Eu sou a última folha que vai cair no outono
O último calor do verão

Nessa terra com o clima marcado que você nasceu
Estarei como ele
A teu lado... me adaptando aos obstáculos que a ignorância impôs
Mas sempre pronto a estar contigo

Ali.. no local estranho que você me chamar
Estarei eu
Sempre a te confortar
Porque nada é mais próximo de mim.. do meu eu.. que você!

Marcelo

Amor de irmão


Porto Alegre, 29 de maio de 2008; 02:28

É minha cara irmã...
Cá estou eu.. longe de tudo e de todos...
Reduzido a um blog...
É minha cara irmã...
Lembra como eu sempre fui artificialmente distante? Durão?

Em idas e vindas em bares
Cansei de dizer que você era minha inspiração
Primogênita de direito e inteligente de fato....
É minha cara irmã...

O destino me levou para academia e para muitas outras coisas que eu nem sabia...
É minha cara irmã...
Difícil manter contato
Difícil lembrar de tudo... de todos...

É minha cara irmã...
Não há um fato... uma pessoa... ou situação que faça...
Alguém se esquecer do que já foi um dia
Das pessoas que realmente fazem diferença

É minha cara irmã...
Não importa o que virá...
Importa que em um chamado
Estarei a teu lado... brigando como sempre
Como sabemos fazer....

É minha cara irmã ... em você me vejo
E sei que você me vê em você...
Que mais poderíamos querer?
É minha cara irmã....
Marcelo

Recebi essa mensagem do meu irmão hoje, por e-mail... E desde então eu, sempre tão disposta a comentar tudo, não consigo escrever uma linha. As lágrimas não me deixam pensar.
Te amo, Pituca.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Da série "Desculpas esfarrapadas do (des)governo

O Conselho de Ética da Câmara elegeu hoje seu novo presidente, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS). Até aí, nada demais. Procedimento de rotina uma vez que o presidente anterior, Ricardo Izar (PTB-SP), faleceu no último dia 2.
O curioso é que o escolhido para comandar o órgão que deve zelar pela ética na Câmara dos Deputados está respondendo a três processos no Supremo Tribunal Federal, referentes ao período em que foi prefeito de Santa Cruz do Sul (RS). Ao ser questionado sobre o contra-senso entre o cargo que vai assumir e o fato de estar sendo investigado, Moraes justificou: "São crimes ambientais. Nenhum é improbidade. São essas coisinhas. No Rio Grande do Sul tem um ditado que diz que cachorro que não tem pulga, vai ter ou teve".
Ou seja, é mais ou menos como aquela estória de que "a utilização de caixa dois nas campanhas é uma prática sistemática no Brasil", ou de que "eu divulguei o dossiê por engano" (oops, dossiê não! banco de dados).

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sexytime

Previna-se. Esse mal não é possível remediar.

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Sessão da Tarde

Deus nos fez criança para que, pelo menos uma vez na vida, pudéssemos nos expressar só com o coração.
Deus criou os bichos para não nos esquecermos de que isso é possível.


video

Para alguém


Faço minhas as palavras dele, pedindo para o vento soprá-las por outros mares.


"Lascívia

Quem ele pensa que é?
Redentor de mágoas
Feitor de milagres
Criador de destinos?
Será que se acha Deus para me reinventar humano
encharcar minha pele de febres
abençoar meu gozo com estrelas
e me fazer perder o chão e o bom senso ao reconhecê-lo Deus?
O que quer este Deus de barro
em seu andor de luzes frescas
procissão secreta pelas ruas da cidade
a levar meus olhos para o porão do mais profundo desejo?
Vai ver é Deus ao avesso
que nem se preocupa em cuidar desta alma
a pressentir cheiros devastadores
a confessar crimes não cometidos
a correr perigos desnecessários
alma que é capaz de mentir por um gemido banal.
Não, não pode ser o Deus
que mora nas bíblias torás corões evangelhos,
nos rituais sacrifícios salmos presságios
não o Deus que aprendi a amar e a temer sobre todas as coisas.
Não, possui pêlos e instintos selvagens
sorri como uma tarde quente da adolescência
é meio leopardo meio potro
índio demais para ser o todo poderoso.
É Deus nada, mas tudo pode
sorvete no frio missa sem altar carnaval em abril
até inibir velhinhas com carinhos obscenos em mim.
É Deus sim, se fosse apenas um homem
não lembraria tantos atalhos em meu corpo
ao menos esqueceria datas
nem se importaria em meu prazer ser sempre sagrado.
E o que fazer com este Deus de flor
tesa aberta primaveril rosa cravo peninsular
a me invadir de breves mares a cada beijo?
Pelo sim, pelo não, Deus
balbuciado na oração do santo do dia
para que Deus o conserve Deus
nestas intermináveis horas de lascívia."


Jacinto Corrêa, do livro Poemas Simples.

Divagando 3


Pior do que não amar é amar e não poder dizer EU TE AMO.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Inspiração à flor da pele

"O amor é a saudade que nunca termina"

Jacinto Corrêa

Cheguei do recital "Um diário para dois" mais inspirada do que nunca. Se a profusão de sentimentos já estava deixando a criatividade à flor da pele, agora é que esse blog vai ficar pequeno para tanta idéia. Aos enamorados, amantes e apaixonados, boas-vindas! O amor, realizado ou não, será um tema recorrente.

domingo, 25 de maio de 2008

Divagando 2


"Quando o que você mais teme acontece, você está livre para não temer mais nada. Livre para saber que a vida não pode ser controlada e que há algo de maravilhoso nisso."

Cristiana Guerra


Há uns dois meses, virei leitora assídua dos blogs da jornalista Cristiana Guerra, Para Francisco, que ela escreve para o filho, e Hoje Vou Assim, do qual já falei aqui anteriormente. Hoje, no Para Francisco, li uma matéria sobre ela publicada na revista Criativa, que citava a frase acima, e descobri que comungamos do mesmo sentimento, embora os motivos que nos levaram à essa conclusão tenham sido muito diferentes, mas não menos dolorosos.
Desde criança, coloquei-me na "torre de controle" da minha vida, como tão bem definiu uma vez minha amiga Yeda. Sempre fui a filha certinha - apesar do cabelinho nas ventas que deixava as respostas sempre na ponta da língua -, a aluna CDF, a profissional comprometida. Não fumei baseado (até hoje não aprendi a tragar), não cheirei lança-perfume (cocaína então, nem pensar!!), não tomei ácido, não engravidei "por acidente", nunca nem fiquei de porre. Só tive coragem de me tatuar depois dos 30 e isso foi o máximo de transgressão que já consegui cometer.
Nunca me furtei de viver o que achava que tinha que viver, mas sempre medi as conseqüências de cada passo a ser dado e de cada risco corrido, o que, em muitos momentos, acabou me fazendo assumir responsabilidades que não eram minhas e, o que é pior, acreditar que era a responsável de fato por alguns acontecimentos. O desgaste sempre foi enorme, porque, quando se está no controle, tende-se a buscar sempre colocar o trem nos trilhos para se alcançar o que planejou, ou sonhou. E o medo de um descarrilamento é um fantasma que não cansa de assombrar.
Precisei encarar o fantasma de frente e sobreviver ao descarrilamento para me sentir livre. Livre do controle. Livre de tomar para mim todas as responsabilidades que não as minhas. Livre para parar de passar a mão na cabeça dos outros e de estar sempre pronta para desculpar. Livre para viver um dia de cada vez e aprender a curtir o momento presente, sem planejar nos mínimos detalhes o futuro. Livre para me reinventar, pela enésima vez.
Já não sonho como antes, é verdade, mas é que os sonhos para mim são quase como o primeiro gole para o alcóolatra. Me levam invariavelmente de volta à torre de controle. Ou talvez porque ainda não tenha recuperado completamente o fôlego para novos confrontos com fantasmas. Melhor assim. Sem a obrigação de estar no controle, me permito mais e confesso que estou gostando dessa nova fase. Como diria nosso filósofo do samba e da cevada, Zeca Pagodinho, estou finalmente deixando a vida me levar.

sábado, 24 de maio de 2008

Toda forma de arte vale a pena


Parafraseando Caetano Veloso, quando o objetivo é exercitar a criatividade, toda forma de arte vale a pena. Basta ver a "tela" usada pelo britânico Slinkachu, que se apropriou de conchas de lesmas para imprimir sua arte no projeto Inner City Snail. Para alguns, o artista não passa de um vândalo, que anda por aí pichando a casa dos outros. Pelo menos por enquanto, nenhum ativista verde resolveu crucificar o moço.

Slinkachu já havia atraído a atenção dos ingleses com o projeto Little People, no qual espalhou pelas ruas de Londres bonequinhos de plástico “que tinham que se defender sozinhos”.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Divagando


“Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter,
ter deve ser a pior maneira de gostar”

José Saramago, em “O conto da ilha desconhecida”


Precisei de 37 anos para entender o que Saramago definiu em uma frase.

Um diário para dois



Meu amigo e poeta de mão cheia, Jacinto Corrêa, fará na próxima segunda-feira, 26 de maio, no Teatro Laura Alvim, um recital solo, com os poemas de seus dois últimos livros - Poemas Simples e Poemas Casados. O espetáculo começa às 20h e a Casa de Cultura Laura Alvim fica na Av. Vieira Souto, 176, em Ipanema. A gente se encontra lá!

Para descontrair




Como brasileiro perde o amigo, mas não a piada, resolvi postar a brincadeira que recebi por e-mail hoje de uma amiga. Prestem atenção no novo planeta do sistema solar.

domingo, 18 de maio de 2008

Ultimatum

"Fora tu, reles esnobe plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro
Ultimatum a todos eles
E a todos que sejam como eles
Todos!
Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
Que nem te queria descobrir
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo
Vós, anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
Para quererem deixar de trabalhar
Sim, todos vós que representais o mundo
Homens altos
Passai por baixo do meu desprezo
Passai aristocratas de tanga de ouro
Passai frouxos
Passai radicais do pouco
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
Descascar batatas simbólicas
Fechem-me tudo isso a chave
E deitem a chave fora
Sufoco de ter só isso a minha volta
Deixem-me respirar
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
Do que todas as janelas que há no mundo
Nenhuma idéia grande
Nenhuma corrente política
Que soe a uma idéia grão
E o mundo quer a inteligência nova
A sensibilidade nova
O mundo tem sede de que se crie
Porque aí está apodrecer a vida
Quando muito é estrume para o futuro
O que aí está não pode durar
Porque não é nada
Eu da raça dos navegadores
Afirmo que não pode durar
Eu da raça dos descobridores
Desprezo o que seja menos
Que descobrir um novo mundo
Proclamo isso bem alto
Braços erguidos
Fitando o Atlântico
E saudando abstractamente o infinito."
Álvaro de Campos, 1917
Lá se vão 91 anos desde que Fernando Pessoa (para quem não sabe, Álvaro de Campos era um dos codinomes do escritor português) escreveu seu Ultimatum, ainda tão atual. Parece que a humanidade, depois de tantas evoluções científicas e tecnológicas, ainda continua a mesma. Clique aqui se quiser assistir Maria Bethânia declamando o texto.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Faturando

A coluna da Mônica Bergamo, na edição de hoje da Folha de S. Paulo, traz uma nota informando que o preço do programa com o travesti Andréia Albertini triplicou depois do escândalo com o Ronaldo Fenômeno. Após alguns segundos tentando entender a relevância dessa informação para os leitores do jornal, me dei conta de que a imprensa brasileira virou uma espécie de, digamos, agenciadora da "moça". Essa me parece ser a única explicação para que jornais, revistas e emissoras de TV continuem estendendo os quinze minutos de fama do travesti. Deve ter alguém ganhando comissão, só pode ser isso!

Batucada no Circo Voador


Para quem gosta de batucada das boas, amanhã tem show do Quizomba - grupo no qual meu "sócio" de sala, Celso Chagas, toca - no Circo Voador. Lista amiga (producao@quizomba.com.br) paga R$ 20.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A caminho do Oscar


Carla Perez virou atriz. A mãe de Camilly Victória e Victor Alexandre (quanta criatividade, meu Deus!) está concluindo o curso da Oficina de Atores Nilton Travesso. Na terça-feira, ela fez seu début no teatro, durante a leitura "dramática" da peça Boeing Boeing. A loura interpretou a aeromoça alemã Judith e tentou caprichar no sotaque (ich liebe dich, meu reeiiii!).
A prova de fogo será no final do ano, com a montagem de "Um beijo no asfalto", em que fará o papel de Selminha, interpretado por Fernanda Montenegro em 1961. Evangélica recém-convertida, a dona de um dos tchans mais cobiçados do Brasil garante que nudez nunca mais - "Agora vocês conhecerão a verdadeira Carla Perez: mãe de família e serva de Deus" - e diz que sua carreira teatral será dedicada ao público infantil.
Por favor, avisem à moça que Nelson Rodrigues não é um autor recomendado para crianças!!

Quem vê cara não vê coração




Como diz a Luciana (Rivoli), o bizarro atrai. Não é à toa que o G1 criou uma editoria com o curioso nome de Planeta Bizarro - que leio sempre, é claro! - e que hoje traz uma matéria sobre o concurso do cão mais feio do mundo (sim pai e mãe, cá estou eu falando de bicho de novo!). Os filhotinhos de cruz-credo, apesar de assustadores, são adorados por suas famílias e têm até site e blog. O mais feioso de todos levará para a casinha, além de um troféu, US$ 1 mil.

Agradecimento

Quero agradecer a todos que enviaram e-mails para falar do blog. Adorei! E vou gostar mais ainda se vocês deixarem o comentário aqui! rs
Aproveito para publicar o pensamento de Aristóteles que o Miguelito me mandou (e não postou!):
"Somos o que repetidamente fazemos. A excelência portanto, não é um feito, é um hábito."

Momento mulherzinha (meninos, pulem para o post seguinte!)


Para quem gosta de moda e estilo, vale a pena dar uma olhada no blog Hoje Vou Assim. Diariamente, ou melhor, de segunda a sexta, a jornalista Cristiana Guerra publica fotos para mostrar a roupa que usou para ir trabalhar. Pode parecer voyeurismo, mas garanto que as produções postadas ali não devem nada a editorial de moda de muita revista chique que tem por aí.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O "caixa dois" do Brasil

Tá na edição da Folha de S. Paulo de hoje: "Governo inventa o "caixa dois" do superávit primário" (texto, na íntegra, abaixo). Se está sobrando dinheiro para criar fundo soberano, por que a choradeira com o fim da CPMF, a carga tributária absurda e a insistência para a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins? Economistas, preciso de explicações. Por favor, acabem com a minha "inguinorança".

Governo inventa o "caixa dois" do superávit primário
Folha de São Paulo Editoria: Dinheiro Página: B-1

O modelo brasileiro de fundo soberano equivalerá a uma espécie de caixa dois do superávit primário -os recursos serão obtidos da forma idêntica, com os mesmos efeitos sobre a dívida pública e a atividade econômica, mas não serão contabilizados como tal.
Como o superávit primário, o dinheiro virá de uma parcela da arrecadação tributária que não será destinada a gastos com pessoal, obras, custeio administrativo e programas sociais. Como o superávit, a criação do fundo vai significar abatimento da dívida pública. E, como o superávit, o fundo vai tirar fôlego do consumo, do investimento e, assim, da inflação no país.
"Não entra no cálculo do superávit, mas todo mundo sabe que é algo que não será gasto", foi como o ministro Guido Mantega tentou explicar a inovação nacional.
Em outros tempos, como no primeiro ano do governo Lula, um aperto fiscal adicional merecia um anúncio de impacto, para impressionar os mercados e restaurar a confiança dos investidores. Agora, vem embalado em discurso desenvolvimentista, para não parecer ameaça ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e outros projetos.
Pelas explicações de Mantega, os dólares para o fundo soberano serão comprados de duas formas: na primeira, idêntica à do Banco Central na aquisição das reservas cambiais, a operação é financiada pela venda de títulos federais.
Nesse caso, a operação, de imediato, é neutra para as contas públicas: aumenta-se a dívida interna e reduz-se, no mesmo volume, a externa -afinal, os dólares obtidos são descontados na contabilidade dos compromissos em moeda estrangeira. Com o tempo, porém, a estratégia dá prejuízo fiscal, porque os juros da dívida interna são muito mais altos que o rendimento dos dólares aplicados no exterior.
Como é cara e já é feita pelo BC, essa modalidade deverá ter peso minoritário no fundo soberano, indicou Mantega.
A novidade é a compra de dólares com recursos do Orçamento, ou seja, da arrecadação de impostos e contribuições sociais. Com esse formato, a operação, embora contabilizada como despesa primária, é vantajosa aos resultados do Tesouro: o dinheiro se transformará em patrimônio da União -seja como dólares ou como ações ou títulos de outros países- e reduzirá a dívida pública.
E o problema passa a ser político: a compra de dólares disputará verbas com programas sociais, demandas salariais do funcionalismo, obras em infra-estrutura, escolas e hospitais.
Um fundo de US$ 10 bilhões, por exemplo, teria impacto irrisório no dólar -é menos de 5% do total das reservas. Mas o efeito orçamentário seria devastador -é basicamente tudo o que o PAC tem para gastar no ano. Não é por acaso que Mantega preferiu não se comprometer com valores ontem.

Desculpem, mas não resisti


O fabricante do brinquedo 'Lula de Pelúcia' está fazendo um recall para troca ou devolucão do dinheiro, devido à uma série de falhas de fabricação, listadas abaixo:

1) Falta um dedo;

2) Tem a língua presa;

3) Só diz 'Nunca na história desse país...';

4) Não tem cérebro;

5) Quando pressionado, repete: 'Eu não sabia!'

Quero a minha cota também

Meu amigo Zé Gordilho me enviou o texto abaixo, do blog do Reinaldo Azevedo. Ao terminar a leitura, entrei em crise. A minha certidão de nascimento diz que eu sou branca, mas a minha pele é parda e o meu cabelo (o original, de nascença) é completamente africano, herança do DNA paterno. Há quem diga que os meus olhos, assim como os do meu irmão, são um pouco puxados, lembrando os de japonês (acreditem: já ouvi isso algumas vezes), e, por causa do meu cabelo agora "naturalmente" alisado, já me perguntaram se sou descendente de índio. Então, me diga aí: qual é a minha cota???? Antes de responder, lembre-se: sou mulher, o sexo frágil, historicamente discriminado.

Nas mãos do Supremo, a unidade do país

O Supremo Tribunal Federal julga duas questões de suma importância. Caberá ao tribunal decidir se vai votar pela unidade do país ou se, contrariando a história da nossa formação e o texto constitucional, dará curso ao esforço de militantes políticos que querem jogar brasileiros contra brasileiros; que têm no conflito racial artificialmente criado a chance de ver prosperar seus delírios ideológicos. O destino da chamada reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, e a constitucionalidade ou não das cotas raciais vão dizer que Brasil teremos. A tarefa não é simples porque o lobby racialista é gigantesco e rico.Segundo o Ipea — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada — e o IBGE, a partir do fim deste ano, o Brasil passa a ser o maior país do mundo com uma maioria de população negra. O truque consiste no seguinte: os que autodeclaram ter a pele “preta” ou “parda” são considerados “negros”. Estamos diante de um evento mágico do ponto de vista histórico, estatístico e lógico: reparem que todos os pretos e pardos são negros, mas há negros, então, que, obviamente, não são pretos. E, no entanto, os negros brasileiros — refiro-me aos pretos — são apenas 6% da população brasileira.
Ontem, uma formidável fraude estatística foi posta para circular. Afirmar que mais de 75% dos brasileiros das regiões Norte e Nordeste são negros, como faz o IBGE, é uma dessas mentiras que se desfazem a olho nu. Qualquer um que tenha visitado a região Norte do país encontrará a pele amorenada da mestiçagem indígena, por exemplo. Fabrica-se, de forma escancarada, uma farsa racialista obedecendo à vontade de ONGs e entidades militantes. O Brasil deve ser, isto sim, um dos países com o maior número de pessoas cuja PROFISSÃO é ser negro.
Vocês devem se lembrar que noticiei aqui anteontem uma corrente de assinaturas endossando um manifesto em defesa das cotas que ainda não tinha texto. O documento finalmente apareceu e foi entregue ontem ao Supremo Tribunal Federal. Ora, a militância racialista se constituiu no pressuposto de que existem “raças” — o que foi desmoralizado pela genética e pelos militantes anti-racistas, categoria na qual me incluo.
Pois bem, boa parte do documento entregue pelos racialistas aos ministros do Supremo é dedicada a combater e desqualificar a carta “Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais", que entregamos ao tribunal no dia 28 do mês passado. E que se note: a desqualificação atinge também seus signatários (link com a íntegra aqui). O texto incorpora, finalmente, a verdade insofismável de que raças não existem. Não existindo, quem é, afinal, o negro e como definir aquele que, afinal, receberá um privilégio a título de reparação? Restou aos militantes optar pelo que chamam “fenótipo” — de fato, a cor da pele.

Democracia racial
O esforço de provar que as cotas são constitucionais — afinal, a Constituição consagra o princípio da igualdade perante a lei — chega a ser patético. Lê-se no documento: “Por diversos de seus dispositivos, a Lei Maior rompe com o mito da democracia racial, assegurando o direito à diferença, ao reconhecer e valorizar as especificidades étnico-raciais, sociais, religiosas e culturais dos povos que compõem o Brasil”.
É uma das maiores bobagens que já li. Sempre entendi que a Constituição, ao proibir qualquer forma de discriminação — NEGATIVA OU POSITIVA — assegurava a “democracia racial”. Não para a turma do manifesto. Segundo eles, a Carta Magna rompe com o “mito” da democracia — e, sendo assim, deve consagrar, então, o princípio da “não-democracia”, certo? Como se vê, eles não escondem o que querem. Aliás, segundo os signatários, os critérios de acesso ao ensino superior devem “em um primeiro momento, assimilar o caráter substantivo do princípio da igualdade, para, a seguir, privilegiar o mérito objetivo.” Sim, vocês entenderam: trata-se de deixar o mérito de lado para cuidar da “igualdade”.
De caso que suponho pensado, os racialistas não imaginam ou sugerem qualquer política especial de inclusão para os “brancos” pobres — talvez tal “fenótipo” deva ser, sei lá eu, defendido pelos de pele idêntica... Se as cotas, como dizem, buscam assegurar na prática o princípio da igualdade consagrado pela Constituição, como garantir a este outro grupo a necessária correção?
A verdade é que os militantes chamam para si o “direito” de definir, ao arrepio da ciência e da história, quem é “afrodescendente”. E, ao arrepio da Constituição, querem eleger beneficiários dos recursos públicos.

Raposa Serra do Sol
Na chamada reserva Raposa Serra do Sol, questão que também está no Supremo, assiste-se a delírio semelhante. Estabeleceu-se uma área gigantesca do Estado de Roraima como “terra indígena” como se os índios que lá estão fossem ainda nômades. Mas não são. A maioria já está integrada à economia. Dos 19 mil que vivem na região, apenas 7.739 estão subordinados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), a entidade que luta para expulsar os não-índios, com o apoio da Funai, da Igreja Católica local e do governo federal.
Atenção: os arrozeiros ocupam apenas 0,7% da reserva — sim, menos de 1%. E ali produzem 159 mil toneladas de arroz por ano. Alimentam, inclusive, boa parte da população indígena local. O movimento de expulsão dos nao-índios é ação de uma minoria radicalizada — estimulada, mais uma vez, pelos militantes que querem opor brasileiros a brasileiros. As terras, à diferença do que se disse, não são “dos” índios. A maior parte da reserva pertence à União. Como já demonstrei ontem, quem move o braço do CIR são ONGs e entidades estrangeiras — no ano passado, a Fundação Ford doou US$ 300 mil à entidade.Tudo indica, aliás, que o laudo antropológico que acabou definindo a área como reserva indígena contínua foi uma fraude — a fraude da militância. Dez das 27 pessoas encarregadas de debater a questão eram, vejam só, da CIR, justamente a entidade empenhada em expulsar da região os "brancos". Em breve, novos elementos dessa história um tanto sórdida virão à tona.
Nas duas causas, os ministros do Supremo Tribunal Federal vão decidir, em suma, se o caminho que opõe brasileiros a brasileiros é justo e legítimo para o país equacionar as suas diferenças. Qualquer decisão, é certo, vai desagradar a muita gente. A questão é saber que vereda nos acena com um futuro melhor.

Flor


A eternidade não começa na morte.

Ela mora na capacidade

de plantarmos na vida que nos resta

a flor do parasempre.

Regá-la com as águas da boa lembrança

Dar-lhe juventude e sorriso

Vê-la sempre viçosa

Deixá-la, sem temor ou pena, em jardim alheio

Na hora que for preciso morrer.

A eternidade é o que em vida

Jamais conseguiremos esquecer.


Em maio de 2004, tive a honra de ganhar essa poesia de presente do meu querido amigo-irmão-poeta Jacinto Corrêa, num momento difícil da minha vida, em que precisei abrir mão da convivência diária com ele para seguir outro rumo profissional. O caminho, desde então, não tem sido fácil, mas a distância só aumentou a amizade e o amor que tenho por ele... A flor do parasempre ficou plantada em mim.