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domingo, 28 de março de 2010

Era uma vez...

Quando era criança, nunca me conformei com o "E viveram felizes para sempre" no final das estórias, logo depois que as princesas encontravam seus príncipes encantados. Não entendia como elas podiam acabar numa frase tão simples quando, para mim, era naquele exato momento que a estória de fato deveria começar.
O que as mocinhas passaram para encontrar o príncipe encantado não me interessava, o instigante era saber o que aconteceria depois, mas isso os livros nunca contavam. Talvez por isso tenha me divertido tanto ao receber essas imagens por e-mail. Se fosse nos dias de hoje, haveria uma grande chance delas terminarem assim.

Cinderela

Branca de Neve

Chapeuzinho Vermelho

A Bela Adormecida

A Bela e a Fera

Aladin

A Pequena Sereia

* Contribuição da Lia Archer

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Para voltar a ser criança

Mais um flash mob, dessa vez na estação central de trem da Antuérpia, na Bélgica. Me fez voltar a ser criança e a lembrar das incontáveis vezes que assisti à Noviça Rebelde.
"Do - a deer a female deer/Ray - a drop of golden sun/Mi - a name I call myself/Fa - a long, long way to run/So - a needle pulling thread/La - a note to follow so/Ti - a drink with jam and bread/That will bring us back to do do do do..."

terça-feira, 14 de abril de 2009

Lucy in the sky with diamonds


Tudo bem que a Alice (aquela do país das maravilhas) é meio retardada e fruto da mente de um doidão, mas a atriz aborrecente Miley Cyrus não precisava exagerar. Em entrevista à Teen Vogue, a Hanna Montana disse que a animação da Disney, de 1951, "é um filme tão pervertido. É sobre ecstasy, eu juro. Procure na internet". Como eu tenho mais o que fazer, não procurei.

* As imagens são da versão de Tim Burton para o clássico da Disney, que só deve entrar em cartaz em março de 2010 nos States. Johnny Depp é o chapeleiro louco.

Disney das trevas

E quando a Hanna Montana fica doidona, deve ver as princesas da Disney assim.



As ilustrações são de Jeffrey Thomas e fazem parte da série entitulada “Twisted Princess”, que mostra as clássicas princesas da Disney sob um olhar sombrio. As moçoilas ganharam um ar dark e foram transformadas em feiticeiras ou guerreiras. Vale a pena dar uma olhada no portfólio dele.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Infância perdida

Na China, o Unicef promoveu uma campanha para chamar a atenção para as crianças carentes do país. Adesivos foram colocados em escadas com a imagem de uma criança de rua e um cartaz ao lado, com a mensagem: “Não me ignore. A China tem mais de 1,5 milhão de crianças passando necessidades”. Tenho medo de imaginar qual é o número brasileiro dessa infeliz realidade.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Para matar a saudade

Se estivesse vivo, meu avô Armando (pai do meu pai) teria feito ontem 89 anos. Provavelmente, mesmo beirando os 90, ainda não aceitaria ser chamado de velho. Sua vaidade não permitiria. Assim como o meu outro avô, o Luiz (que faria 98 anos no próximo dia 2), ele era cheio de vida. Assim como o velho Blois, ele era falante, bem humorado e cheio de amigos. Sou neta de dois cancerianos muito queridos e amorosos, cada um a seu jeito.
O vô Armando era o que me levava para passear e que gostava de brincar, o que esteve mais perto enquanto eu era criança. Sempre que eu queria ir à praia, era para ele que eu pedia. E ele sempre me levava. Durante anos, ele foi a minha vítima: toda vez que eu tinha uma queda de pressão e desmaiava, coincidentemente, era ele quem estava por perto para me socorrer.
Me lembro dele implicando e fazendo careta para a minha avó para nos fazer rir; no Maracanã, com sua inseparável almofadinha com o escudo do Flamengo, vibrando com o Zico; ou em casa, aos domingos, com o radinho de pilha grudado no ouvido, enquanto o meu pai reclamava: "Desliga isso, Zé. Vai acabar dando azar" - Nunca entendi o porquê do meu pai o chamá-lo de Zé, já que ele não tinha José no nome. Era só Armando Ribeiro e ponto final.
Ele foi o meu ídolo de infância, mas eu só fui entender isso já adulta. E eu era a bonequinha dele. Quando ele morreu, cedo demais para que eu pudesse aceitar, passei um bom tempo, quando chegava na casa dele, esperando que ele viesse da cozinha me dar um beijo, dizendo: "oi, minha boneca" (anos depois, quando me chamaram de minha boneca de novo, aquilo me soou tão aconchegante que imediatemente me senti em casa , mas essa é outra estória). O vazio que ficou com a partida dele me fez um buraco no estômago, abrindo a minha primeira úlcera, aos 17 anos.
Curiosamente, só descobri de verdade o meu avô Luiz depois que o Armando se foi. Aos poucos, fui me familiarizando com aquele senhor que, mesmo aposentado, não parava em casa. Para não perder a pegada, ia todo dia ao centro da cidade. Encontrava com os antigos colegas de trabalho e colocava o papo em dia. Foi o jeito que ele encontrou para se manter ativo.
Perto de casa, era conhecido por todos: na padaria, no açougue, no barbeiro. Estava sempre pronto para conversar. Era o rei da rifa do bairro. Ganhava todas que comprava e depois me dava os prêmios de presente: televisão, relógio, rádio...
Viúvo há muito tempo, se cuidava sozinho e não queria nenhum dos filhos tomando conta dele. E ficou assim independente até enquanto pode. Tinha uma memória e uma sagacidade de pensamento que me causam inveja até hoje. Eu gostava de ouvir as suas estórias sobre política e futebol (ele também era flamenguista).
Me lembro de como ele tentou me fazer desistir de ser jornalista. Chefe de oficina de jornal a vida toda, não via com bons olhos a profissão. Me dizia que eu ia me matar de trabalhar e morrer de fome - Não morri de fome, vô. Embora tenha que ficar fazendo conta para fechar o mês, não posso reclamar da vida. Foi dele que herdei o sobrenome que não deixa ninguém esquecer de como me chamo.
De vez em quando, eles vêm me visitar nos sonhos. Já são quase 22 anos sem um e quase 15 sem o outro. E eles ainda fazem muita falta. Tomara que essa noite eles apareçam para a gente matar a saudade.