domingo, 29 de junho de 2008

Você acredita?

"Se eu acredito em Deus?
Mas que valor poderia ter
Minha resposta,
Afirmativa ou não?
O que importa é saber
Se Deus acredita em mim".

Mário Quintana

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Para matar a saudade

Se estivesse vivo, meu avô Armando (pai do meu pai) teria feito ontem 89 anos. Provavelmente, mesmo beirando os 90, ainda não aceitaria ser chamado de velho. Sua vaidade não permitiria. Assim como o meu outro avô, o Luiz (que faria 98 anos no próximo dia 2), ele era cheio de vida. Assim como o velho Blois, ele era falante, bem humorado e cheio de amigos. Sou neta de dois cancerianos muito queridos e amorosos, cada um a seu jeito.
O vô Armando era o que me levava para passear e que gostava de brincar, o que esteve mais perto enquanto eu era criança. Sempre que eu queria ir à praia, era para ele que eu pedia. E ele sempre me levava. Durante anos, ele foi a minha vítima: toda vez que eu tinha uma queda de pressão e desmaiava, coincidentemente, era ele quem estava por perto para me socorrer.
Me lembro dele implicando e fazendo careta para a minha avó para nos fazer rir; no Maracanã, com sua inseparável almofadinha com o escudo do Flamengo, vibrando com o Zico; ou em casa, aos domingos, com o radinho de pilha grudado no ouvido, enquanto o meu pai reclamava: "Desliga isso, Zé. Vai acabar dando azar" - Nunca entendi o porquê do meu pai o chamá-lo de Zé, já que ele não tinha José no nome. Era só Armando Ribeiro e ponto final.
Ele foi o meu ídolo de infância, mas eu só fui entender isso já adulta. E eu era a bonequinha dele. Quando ele morreu, cedo demais para que eu pudesse aceitar, passei um bom tempo, quando chegava na casa dele, esperando que ele viesse da cozinha me dar um beijo, dizendo: "oi, minha boneca" (anos depois, quando me chamaram de minha boneca de novo, aquilo me soou tão aconchegante que imediatemente me senti em casa , mas essa é outra estória). O vazio que ficou com a partida dele me fez um buraco no estômago, abrindo a minha primeira úlcera, aos 17 anos.
Curiosamente, só descobri de verdade o meu avô Luiz depois que o Armando se foi. Aos poucos, fui me familiarizando com aquele senhor que, mesmo aposentado, não parava em casa. Para não perder a pegada, ia todo dia ao centro da cidade. Encontrava com os antigos colegas de trabalho e colocava o papo em dia. Foi o jeito que ele encontrou para se manter ativo.
Perto de casa, era conhecido por todos: na padaria, no açougue, no barbeiro. Estava sempre pronto para conversar. Era o rei da rifa do bairro. Ganhava todas que comprava e depois me dava os prêmios de presente: televisão, relógio, rádio...
Viúvo há muito tempo, se cuidava sozinho e não queria nenhum dos filhos tomando conta dele. E ficou assim independente até enquanto pode. Tinha uma memória e uma sagacidade de pensamento que me causam inveja até hoje. Eu gostava de ouvir as suas estórias sobre política e futebol (ele também era flamenguista).
Me lembro de como ele tentou me fazer desistir de ser jornalista. Chefe de oficina de jornal a vida toda, não via com bons olhos a profissão. Me dizia que eu ia me matar de trabalhar e morrer de fome - Não morri de fome, vô. Embora tenha que ficar fazendo conta para fechar o mês, não posso reclamar da vida. Foi dele que herdei o sobrenome que não deixa ninguém esquecer de como me chamo.
De vez em quando, eles vêm me visitar nos sonhos. Já são quase 22 anos sem um e quase 15 sem o outro. E eles ainda fazem muita falta. Tomara que essa noite eles apareçam para a gente matar a saudade.

Frases do dia

Muito apropriadas para um final de mês.

"Se dinheiro não traz felicidade, dê-me o seu e seja feliz!"

e a complementação:

"O dinheiro não traz felicidade, mas aplaca os nervos"

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Generosidade 2


Por mais exdrúxula que seja a imagem, ela é uma prova de que o ser humano é capaz de gestos de generosidade inimagináveis.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sopa de letrinhas


De aorcdo com umapeqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e a útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Agora, fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito:

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35!
R3P4R3 N155O!
NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO?
POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

Micão

Saiu na coluna Zapping, da Folha Online de hoje :

"Detalhes
Adriane Galisteu, em entrevista a João Gordo, da MTV, disse que seu namoro com o jogador Roger foi doentio. Ela contou também que já viu Roberto Justus, seu ex-marido, fazendo escova."


Por que será que as pessoas gostam tanto de ser indiscretas com a própria vida? Já não basta o mico de casar com um homem que, obviamente, faz escova e comprovar isso in loco? Ainda tem que contar para todo mundo? Cadê a dignidade dessa gente?!?

Indicação

Selo Esse blog...Vale a pena ser olhado

Agradeço ao Eduardo Lunardelli, do blog Varal de Idéias, que presenteou seus amigos blogueiros (euzinha inclusive) com a indicação para receber o selo acima. Estar linkada ao Varal já era uma honra mais do que suficiente, agora, então, é que vou ficar impossível!

Nota de respeito

Quero registrar aqui o meu respeito pela antropóloga Ruth Cardoso, a única primeira-dama - peço perdão por usar um título que ela não gostava - que exerceu a função com dignidade e verdadeiro respeito pela nação brasileira, na minha humilde opinião. D. Ruth, como era chamada, não se limitou a ser uma sombra de seu marido, uma mera figurante de eventos oficiais. Pelo contrário, aproveitou a oportunidade que teve para desenvolver um trabalho sério, independente de cores partidárias, fruto de anos de muito estudo e dedicação.
Essa homenagem não tem a ver com convicções políticas, apenas com a minha admiração a pessoas comprometidas de fato com os ideais democráticos nos quais acredita e com a minha torcida para que bons exemplos como ela não fiquem somente guardados nas páginas amareladas da nossa história.

A culpa é do Fidel


A reportagem abaixo foi enviada pelo PiR e me fez lembrar de quando fomos ao Chile, há 11 anos, e da insistência do funcionário da imigração chilena em saber em qual "jornal" eu trabalhava, depois de ler no meu documento que eu era jornalista. Foi uma dificuldade fazê-lo entender, no meu portunhol precário, que não trabalhava em jornal e sim na área de comunicação de uma empresa que nada tinha a ver com a imprensa. E isso porque, naquela época, o Pinochet nem era mais o chefe de governo, embora se mantivesse à frente das Forças Armadas.
O texto a seguir é longo e, embora não retrate nenhuma novidade, vale a pensa ser lido para não esquecermos nunca o valor da democracia, por mais caótica que ela seja.

O calvário de um ídolo cubano

O boxeador Guillermo Rigondeaux, que tentou fugir no Pan do Rio, em 2007, passa por dias difíceis na Ilha

Claudio Mafra, HAVANA –Jonal O Estado de São Paulo – 16-06-2008

O pugilista três vezes campeão mundial juvenil!! Duas vezes campeão pan-americano! Medalha de ouro nas Olimpíadas de Sydney e Atenas! Duas vezes campeão mundial! Com 475 vitórias e apenas 12 derrotas! Considerado o maior boxeador do mundo! Com 27 anos de idade, o famoso e infeliz...,"Senhoooras e Senhooores! Guilhermo Ri-gon-deaux !"

Bem, aqui está ele. Óculos escuros, boné enterrado na cabeça, assustado, mal vestido, olhando para os lados para ver se foi seguido. É difícil acreditar que estou diante de um dos maiores esportistas de todo o globo. Entre Guillermo Rigondeaux e uma vida de milionário - que seria a recompensa por seu talento - estão duzentos quilômetros de água salgada. Se estivesse fora de Cuba, poderia ganhar milhões de dólares. Seria disputado pelos patrocinadores, seria adulado, teria uma vida de luxo, Ferraris, publicidade, tudo que o dinheiro pode comprar. Uma celebritie, e no entanto vai receber 120 dólares para me dar uma entrevista.

Apenas um pobre rapaz.

Durante os últimos Jogos Pan-Americanos, no Rio, em julho do ano passado, Rigondeaux e seu companheiro Erislandy Lara tentaram fugir, abandonando a delegação cubana, seduzidos pelos contratos que poderiam assinar em outros países. O que se passou é nebuloso, mas o fato é que os dois foram despachados de volta para Cuba com tanta pressa que se comenta ter sido um favor especial do presidente Lula para Fidel.

Claro que em nossa entrevista é impossível Rigondeaux dizer averdade. De fato, ele é um prisioneiro domiciliar. Limita-se a repetir o que saiu publicado no Granma, o ridículo jornaleco oficialdo regime. Fico ouvindo. Enquanto fala, olho para ele e sinto pena. Uma história completamente sem pé nem cabeça, onde o tamanho do seu desprezo pelo dinheiro só é igualado pelo seu patriotismo. E as propostas que recebeu de um empresário? "Mentira da imprensa. Sempre existem propostas e nunca aceitei nenhuma. Eu já estive em muitos países e poderia ter fugido antes.

"Algumas coisas que ele diz são interessantes: "Se eu tivesse feito o que vocês escreveram nos jornais e depois tivesse voltado para Cuba eu teria sido fuzilado", afirmou. "A delegação voltou mais cedo porque havia alguns que estavam desertando." (É verdade, dois já haviam fugido, e Fidel, com medo de que outros fossem embora, ordenou que os seus escravos-atletas voltassem antes da festa de encerramento). Rigondeaux também não sabe onde está Lara: "É bom para mim e para ele não nos encontrar-nos." É tão simplório, que não seria correto tentar pegá-lo em alguma contradição. É melhor deixá-lo em paz.

O fato é que nunca mais poderá deixar a Ilha. "El Comandante" é vingativo, e Rigondeaux vai pagar caro pelo que fez no Brasil. Vai envelhecer em Cuba, sem nunca mais competir. Esse é o seu destino e ele que dê graças a Deus por não estar dentro de uma prisão. (Talvez deva dar graças a Lula também).

Chegou a hora das fotografias. Peço para que tire o boné e os óculos. Ele hesita, mas concorda. É reconhecido imediatamente. Três pessoas vêm apertar sua mão. Esquece o medo e fica muito satisfeito. Pelo menos tem a admiração do seus compatriotas. Eu, o fotógrafo, junto com o antigo campeão mundial dos pesos médios-ligeiros de1965 Félix Betancourt, que foi quem me conseguiu o contato com ele. Por essa ajuda eu dei 70 dólares para o grande Felix, "A Pantera do Oriente", o pugilista que foi o favorito de Fidel, e que aos 60 anos de idade está na miséria.

Entre muitas de suas recordações está uma foto com o comandante, os dois muito jovens, ele pronto para entrar no ringue, magnífica figura. Bons tempos. No táxi eu disse a Félix que ele estava magro demais, e sua resposta foi que se mantinha em forma, que ainda treinava. Bastou ele descer, que o motorista disse com ironia: "Que treino que nada... Ele está é passando fome."

O povo cubano conhece muito bem a história dos seus antigos ídolos, o tratamento indigno que recebem do regime, onde os pugilistas idosos são abandonados. Quando deixam os ringues, por não saberem fazer mais nada além de lutar, são colocados de lado, ganham uma pensão miserável. Sua luta passa a ser a sobrevivência diária.

Caminhamos por uma rua mais discreta e eu aproveito para pagar Rigondeaux. Então ele chega ao fundo do poço: Me pergunta se não gostaria de "chicas". Essa não. O maior pugilista do mundo está me oferecendo prostitutas. O que mais posso dizer?

O telefone toca no quarto do hotel e dizem, em tom imperativo, que são da Inmigracion, que é para eu descer porque querem falar comigo no lobby. Claro, chegou a vez da repressão. Até agora estive livre feito um passarinho, fazendo e acontecendo, mas chegou a vez de pagar a conta. Minha primeira providência é a de rasgar rapidamente os papéis que comprometem o jornalista meu amigo, Jose Barrios (nome fictício). Por intermédio dele cheguei até aos boxeadores. Sinto pena de ficar sem alguns documentos interessantes, mas é imprudência conservá-los, e impossível escondê-los. De uma hora para a outra podem entrar no meu quarto e revistar tudo. Coloco o papel picado no saco que a arrumadeira deixou no corredor. Conservo somente a capa da revista Enepece, editada pelos refugiados de Miami, onde aparece a cara sorridente do presidente Raúl vestido de chinês, com o título "La China que nos Espera". Quero levá-la para ver se o jornal publica a foto. É hilária. Para se entender é preciso saber que Raúl Castro tem o apelido de "China", uma dupla alusão aos olhos puxados e ao fato de ser considerado gay.

Chegando ao lobby, dois militares me fazem algumas perguntas e recebo um papel no qual sou intimado por um tenente-coronel para ir depor às 9 horas do dia seguinte no Departamento de Imigração. Telefonei para oEstado e avisei que se não desse notícias em 48 horas seria uma boa idéia ligar para a embaixada brasileira. A segunda providência foi procurar Barrios naquela noite e contar tudo. Ficou com medo de ser preso. Não quer de maneira alguma que eu conserve a revista com a cara do Raul. Procuro tranqüilizá-lo dizendo que de mim não vão saber nenhuma palavra sobre ele. Não vou dizer um único nome. Se engrossarem chamo a embaixada.

Barrios sabe que vou para Miami de veleiro e, pela segunda vez, e de maneira dramática, pede para ir comigo. O que posso dizer para uma pessoa desesperada para escapar da ilha? O barco não é meu, e, sem motor, a viagem é muito demorada, 30 horas. Seria sorte demais conseguir iludir os cubanos, e depois ainda teríamos a Guarda Costeira americana. Não é possível.

É muito comum os cubanos escaparem em barcos, mas estes são superpotentes, vêm de Miami ao preço de 10 mil dólares, atracam em algum ponto da ilha e partem em extrema velocidade para outro país, ou mesmo para os Estados Unidos. O problema são os jovens, os meninos, aqueles que não têm nada a perder, e que percebendo os preparativos de fuga dos que contrataram a empreitada ficam esperando escondidos. Quando o barco chega tentam embarcar à força. Muitas vezes se atiram na água, e arriscam a vida de tal modo que não existe outra alternativa a não ser levá-los também.

Pela manhã, chegando na Inmigração, já não gostei da primeira pergunta do capitão. Olhando para a rua, e fechando a porta atrás de mim ele diz:"O senhor deixou o táxi esperando?" Mau sinal, será que está querendo dizer que sou muito otimista? Começa um interrogatório onde querem ser durões mas ao mesmo tempo educados. Eu me recuso a dar os nomes dos que me levaram a Rigondeaux. Digo que se eles têm seus informantes, eu também tenho os meus, só que os jornalistas chamam de "fontes", e que são sagradas. Antes que se irritem ainda mais, eu digo inocentemente que naquele caso tinha sido o jornal. O jornal? Sim, senhores. "O jornal pediu o endereço para a Polícia Federal. No Brasil foi um escândalo, os senhores não sabem?" É péssimo para eles, ouvirem esse "escândalo no Brasil" (percebe-se, na hora, que se sentem inferiorizados, estão sozinhos no mundo, ninguém aprova o que fazem - "um escândalo!"). Resolvem partir para outra coisa: "Mas o senhor disse no seu boleto de entrada em Cuba que veio para turismo. Como é que foi fazer entrevistas?" Novamente eu entro com o jornal salvador: "O jornal me ligou e disse que já que eu estava em Cuba, que tal aproveitar e fazer uma entrevista ?" (O nome Guilhermo Rigondeaux não é mencionado uma única vez no interrogatório ).

E por aí vamos, eles insistindo em que estou me metendo em assuntos internos cubanos. Mas os tempos são de "cambio" (abertura), é bom não exagerar, e resolvem encerrar o interrogatório. Passar bem, obrigado, e em férias não faça mais entrevistas.

Tudo levou pouco mais de uma hora.

Os cubanos assistem aos canais a cabo de Miami. É uma festa porque ficam sabendo de tudo o que o governo esconde e nega. Claro que é ilegal, mas todo mundo tem. Os que podem, pagam 10 dólares por mês pelo decodificador, e os outros fazem "gato". De vez em quando a polícia providencia "batidas", mas quando invade as casas os aparelhos já foram recolhidos. Dizem os cubanos que gente do próprio governo avisa quando a polícia vai entrar em ação. Afinal, todos têm filhos e filhas que querem assistir aos programas. O canal preferido é o 23, no qual se apresenta Maria Elvira, que mete o pau nos comandantes. Grande sucesso. Existem outros, os 51, 41 e o 69, que mostram aos cubanos a vida nos países livres, a vida que eles perdem enquanto o tempo passa.

A bonita moça da tabacaria está fazendo 24 anos e me diz que conta nos dedos os seus dias em Cuba. Tem medo de perder toda a sua mocidade sem conhecer o mundo.

Os canais cubanos só falam de política, são uma chatice. Todo o tempo é "revolución", "la consciência del momento histórico" e as baboseiras do comandante en jefe, que depois que deixou o governo começou a publicar "reflexiones" como se fosse um extraordinário pensador.

E os meus amigos cubanos já podem me esperar sentados no lobby do hotel! Antes ficavam em pé, do lado de fora, e me chamavam quando davam sorte de me ver. São as mudanças de Raúl. Também podem comprar aparelho de DVD (quando tiverem dinheiro) e aí, sim, vão deitar e rolar com os DVDs piratas, gravados do canal 23 de Miami, o que vai decuplicar as informações "contra-revolucionárias". É um perigo quandose começa a abrir um regime...

Paro no meio da rua para ver alguns meninos pequenos brincando. De repente a bolinha chega para o meu lado e correndo para pegá-la vem junto o menor dos garotos. Deve ter uns 7 anos. Olho muito sério para ele e pergunto bem alto: "Você é contra-revolucionário?!" O menino fica pasmo, os olhos muito abertos, e a voz sai bem fininha, bem baixinha:"Patria o muerte." Muito bem, o coitadinho deu a senha do seu patriotismo. Digo que é brincadeira, fico arrependido, passo a mão em sua cabeça e dou uma propina bem grande para compensar o susto.

O jornal El Nuevo Herald, de Miami, publicou que a judoca cubana Yurisel Labordie, que estava participando do Campeonato Pan-Americano de Judô, em maio, nessa cidade, também fugiu. Laordie era uma medalha certa na Olimpíada de Pequim. É bicampeã mundial (2005 e 2007). Mais uma que trocou a doce pátria pelos prazeres capitalistas.

De regresso ao Brasil, fiquei sabendo que Guillermo Rigondeaux foi chamado pela Polícia Política por causa de sua entrevista. Ele se defendeu dizendo que havia apenas repetido o que o Granma havia publicado. Foi advertido para deixar de ser bobo, que todos jornalistas mentem, e que nunca mais conversasse com a imprensa. Sua resposta foi a de que "esse jornalista não, ele não vai mentir". Agradeço a Rigondeaux por essas palavras, sinto por não haver acreditado em sua versão do fato, mas espero que no texto tenha ficado claro que realmente ele foi coerente com o que havia dito ao Granma.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Besteirol de terça - Ferrari de pobre

O filho pergunta ao pai:

- Pai, Ferrari é um carro vermelho, que tem um cavalinho??
- Exatamente, meu filho, por que?
- Porque acho que vi um, acabou de passar pela gente.......